Gorjeio do Amanhecer
Quando a noite cede ao primeiro clarão,
as árvores despertam sem fazer alarde.
É o coro miúdo da criação
que gorjeia suave, beijando a tarde.
Não há maestro, nem partitura aqui,
só o vento afina o bico miúdo.
Cada trinado diz “eu estou”, “eu vi”,
anunciando o dia que renasce mudo.
E a luz que chega não pede licença,
entra devagar pelo canto dos ninhos.
No gorjear breve mora a inocência
de um mundo que recomeça nos caminhos.
Assim começa o dia: em canto leve,
sem pedir aplauso, sem pedir perdão.
Só quem escuta entende o que ele deve:
que a vida recomeça em cada canção.