Gino, Sinvaldo de Souza

Gorjeio do Amanhecer

Gorjeio do Amanhecer

 

Quando a noite cede ao primeiro clarão,  

as árvores despertam sem fazer alarde.  

É o coro miúdo da criação  

que gorjeia suave, beijando a tarde.

 

Não há maestro, nem partitura aqui,  

só o vento afina o bico miúdo.  

Cada trinado diz “eu estou”, “eu vi”,  

anunciando o dia que renasce mudo.

 

E a luz que chega não pede licença,  

entra devagar pelo canto dos ninhos.  

No gorjear breve mora a inocência  

de um mundo que recomeça nos caminhos.

 

Assim começa o dia: em canto leve,  

sem pedir aplauso, sem pedir perdão.  

Só quem escuta entende o que ele deve:  

que a vida recomeça em cada canção.