Estrela da manha

Entre o Frio e as Lembranças

 

A temperatura caiu,

 

o frio chegou sem pedir licença.

 

O vento gelado bate forte na porta da varanda do quarto,

 

como se quisesse contar histórias antigas

 

guardadas pelo tempo.

 

Para aquecer o corpo, faço um chá de amendoim,

 

e o aroma que sobe da caneca

 

parece abraçar o silêncio da noite.

 

Lá fora, o inverno desenha seus caminhos,

 

enquanto aqui dentro os pensamentos caminham sem pressa.

 

Pensamentos e mais pensamentos,

 

lembranças que surgem como músicas distantes,

 

tocando suavemente cada canto da memória.

 

Algumas trazem sorrisos,

 

outras apenas a saudade que aprende a morar no peito.

 

E então, por um instante,

 

a alma da poesia desperta.

 

Traduz em palavras aquilo que o coração sente

 

e que o silêncio jamais conseguiria explicar.

 

Entre o cobertor, o tempo gelado e as lembranças,

 

a vida desacelera seu ritmo apressado.

 

O mundo lá fora continua girando,

 

mas aqui existe apenas este momento:

 

o calor do chá nas mãos,

 

o vento cantando na varanda,

 

as músicas dançando na memória

 

e a poesia transformando o frio da estação

 

em abrigo para a alma. ?????