Jorge E. Leal
Mundo nojento tua batalha não é justa,
Jaqueta podre cara a cara da burguesia,
Há uma cicatriz, carma que nada custa,
Ecoa o grito de um herói em vã agonia.
Coturno que chuta o mundo inteiro,
Rasgando o véu de toda hipocrisia,
Nem o som voa tão rápido e certeiro,
Da bota brota e sepulta a simpatia.
Corpos unidos, nojentos em protesto,
Cospem o ódio contra os governantes,
Fazendo o caos seu alimento indigesto.
O nojo é real se a distância encurta,
Na miséria habita seu eterno injusto,
Cidade fria que a ganância nos surta.