Como eu faço para melhorar?
Será que é só esperar?
Será que é apenas mudar...
Ou até me mudar...
Quem sabe recomeçar?
O que eu sou?
Será que sou alguém normal?
Não me encaixo.
Não me vejo pertencente a algum grupo.
Sinto-me como se estivesse sendo observada a todo momento.
Sinto que as pessoas me julgam,
mesmo antes de eu chegar a fazer algo.
Me sinto deslocada, insulada.
Me sinto errante, irritante, vacilante.
Parece que não faz sentido o meu existir.
Às vezes, parece que sou uma pessoa muito má.
Não consigo criar vínculos tão facilmente.
Me colocam em histórias onde eu nem sabia que estava.
Agora virei a vilã.
E o pior, não consigo me ver.
Só queria ser alguém melhor.
Mas parece que todos os olhares me julgam, me criticam, me tiram a paz.
Eu tento ser eu.
Mas parece que ser eu também incomoda.
Eu amo abraços.
Mas não os tenho.
Eu confio demais,
eu sofro demais.
Ah, minha mãe...
Se ao menos eu a tivesse comigo.
Teria para onde correr.
Teria onde me esconder.
Teria alguém para me amparar.
Alguém que eu sei que jamais iria me julgar.
Pois todos somos seres errantes.
Acho que minha vida teria sido um pouco menos dramática e triste.
Nesses vinte e seis anos sem a senhora,
é como se meu coração fosse tirado e pisoteado.
Eu percebo que, durante toda a minha jornada,
até agora, nunca tive um refúgio seguro.
Todo mundo me machuca, ou me trai, me faz mal, me julga.
Eu sempre tentei ser correta em tudo o que eu fiz.
E, em apenas um erro, tudo se desfez.
O que construí se desfez, o que senti se perdeu de vez.
Eu quero tanto sair daqui,
ir embora.
Conhecer novas pessoas.
Refazer minha vida.
Amo o que faço.
Mas chega a ser engraçado
o quão dolorido e dramático tudo é.
Parece que as pessoas nunca erraram.
Parece que têm uma visão tão estranha sobre mim.
Minha cabeça está toda bagunçada, assim como o meu coração.
Fazer o que eu gosto se tornou motivo de preconceito.
Como que ser mulher hoje em dia fosse ficar dentro de uma casa trancada.
Eu sempre fui mais na minha, mas amo cantar.
E vou continuar.
Não porque tenho quinze anos, mas acho que para isso não tem idade.
Acho que se permitir viver algo é libertador.
E a liberdade da mulher, infelizmente, ainda é vista com maus olhos.
A mulher não pode fazer o que gosta.
É o preconceito que nunca vai acabar.
E eu aqui,
querendo apenas alguém para conversar.
Para poder desabafar.
Para poder compartilhar, trocar minhas angústias.
Eu queria ao menos um abraço.
Ah, mãe, como sinto sua falta...
Será que algum dia vou ter alguém que me escute e me proteja?
Nessa sombra e escuridão de alguém que almeja
um porto seguro, uma luz que clareja.
Não que eu precise de proteção.
Mas seria bom me sentir cuidada.
Mesmo que por um instante, acolhida e amada.
E, no fim, talvez eu não esteja procurando proteção...
Esteja apenas procurando um lugar
onde eu não precise sobreviver o tempo todo.