ASSOMBRAÇÃO
O que me assombra,
é a minha sombra
camuflada entre a folhagem
através do vidro da janela.
O que me assusta
É o meu vulto
deslizando ao meu lado, na parede,
enquanto vagueio pela casa
à procura do sono.
O que me trava a respiração
é a imagem refletida no espelho
da antiga penteadeira,
quando passo.
Mas nada supera o momento
em que o silêncio é rompido
pelas três badaladas do relógio.
De repente,
o vazio se enche de ecos
juntando os mundos,
o próximo e o distante,
o rés e o profundo,
o real e o imaginário.
Livres, os espectros sonâmbulos
da minha mente
dançam e festejam
pelos corredores infinitos da noite,
não se apercebendo de que
o único fantasma real
é a patética figura parada
atrás da janela envidraçada,
esperando que eu me mova,
para me seguir.
Zaira Belintani