A mão ensaia a busca pelo traço,
Desfazendo o silêncio que a vestia,
Num lento desfolhar, por vago espaço,
Onde a estrutura cede à profecia.
O ritmo acelera, a rima se perde,
Em curvas que o desejo desenha e apaga,
Onde o fôlego encontra o que o corpo verga,
Na busca da essência que a alma vaga.
Há um verso suspenso, em chama e altura,
Que pede o encaixe exato, o movimento,
Fundindo a forma à própria criatura,
No ápice que rasga o pensamento.
E quando a última nota se encerra em calma,
Repousa a moldura, exausta e vencida,
Pois só no silêncio que resta na palma,
Se escreve a história daquela partida.