(Lucien Vieira)
Ser alguém
é inventar sem criar,
é vestir um nome vazio —
é um mero ninguém,
porque ser alguém
não há.
Existe, sim,
não somente um ente,
mas um ser — próprio:
que pensa — e pensa,
sente — e sente,
e não mente.
À mente
não chegam
máscaras de fora;
apenas se veem,
como vidro embaçado,
ambíguos — não se leem.
Alguém só,
nunca vem;
constantemente
vai —
some.