Sempre,
desde que me dei conta de mim,
fico assim
na véspera do meu aniversário.
Não gosto. Desgosto.
Talvez porque o resto do ano
passo sem contar, e neste exato dia, conto.
Não conto as rugas, nem os cabelos brancos.
Pouco ligo para isso.
Mas sinto falta dos meus tempos de menino.
Vejo o tempo como um rio: apenas indo.
Para a morte também não ligo.
Só sinto falta dos meus tempos de menino.