tu constróis universos inteiros
crias vidas eternas entre linhas
mas nunca te sobram páginas
para me manter em tuas narrativas
tu me fizeste desaparecer
apagaste-me como um esboço falho
já não sou.
sem ti, não há nada em mim
o que resta da tinta
que a pena se recusou a carregar?
desmorono-me em poeira,
em pedaços sujos, partículas de borracha
que o vento recolhe sem alarde
não abras as janelas!
ainda há grafite de mim sobre a mesa