Noah Ferreira

rasuras

tu constróis universos inteiros 

crias vidas eternas entre linhas 

mas nunca te sobram páginas 

para me manter em tuas narrativas 

 

tu me fizeste desaparecer 

apagaste-me como um esboço falho 

já não sou. 

sem ti, não há nada em mim 

 

o que resta da tinta 

que a pena se recusou a carregar? 

 

desmorono-me em poeira, 

em pedaços sujos, partículas de borracha 

que o vento recolhe sem alarde 

 

não abras as janelas! 

ainda há grafite de mim sobre a mesa