Chuva, ouço os teus respingos,
nas batidas leves contra o vidro da janela
quase aberta,
um sussurro que dança no vento,
regando as lembranças do passado.
Vejo-te cair sem pressa,
como quem conhece o tempo,
sem medo de lavar as dores,
sem receio de reviver momentos.
Tua brisa fria me envolve,
desperta a centelha adormecida,
e no perfume da terra molhada,
os sonhos esquecidos encontram saída.
Oh, chuva, que banha a infância,
que insiste em ficar mesmo quando
partimos, vem, molha meus passos
cansados, renova-me, faz-me reconhecer
a importância da minha existência.
Se corres, eu corro contigo, se ficas,
eu fico contigo, pois na tua dança serena
sou livre, sou criança outra vez, sem
ninguém dizer \" Já é tarde de mais”.