sangue em tinta

O espinho

Os pensamentos me enlouquecem,

as possibilidades me entristecem.

Por que essa ansiedade não me deixa viver?

Por que não me deixa respirar?

 

Eu queria deixar de sofrer,

poder sentir o perfume das rosas,

escrever coisas boas em prosas,

mas meus lamentos não me permitem.

 

Sempre voltam para matar minha esperança

de um futuro melhor,

um sofrimento menor.

 

Como vermes que crescem em meio à carne podre,

são minha realidade,

corrompendo os sonhos que mostram a castidade da alma.

 

As lágrimas de sangue que derramei,

as vezes em vão que eu chorei,

por tudo que comecei.

 

Um eterno adeus

pela casca que se perdeu,

pelas vezes que sofreu,

viveu, morreu.

 

Este é o caos,

a viva dor

que desencadeia o rancor,

sem pudor ou temor.

 

Tudo o que me acolheu,

tudo o que me repreendeu,

serviu para este momento,

que me leva com o vento,

de tal forma que me arrependo.