o xadrez me atravessa
como se mexesse algo que não fica só no jogo
ele me obriga a me olhar
cada lance pede calma
mas minha mente corre mais rápido do que devia
e eu me perco em mim mesma
erro o simples
vejo tarde demais o óbvio
e isso pesa mais do que a derrota
cada partida parece um espelho
mostrando falhas sem pedir licença
e eu fico ali, tentando entender
como melhorar sem me quebrar no processo
há frustração
há silêncio depois da queda
e um gosto de “eu devia ter visto”
mesmo assim eu volto
porque entre o incômodo e o aprendizado
existe algo que me prende ao tabuleiro