Fabricio Zigante

ESCRIVANINHA

Sentei-me a beira de minha escrivaninha
Solitário, sozinho como sempre estarei,
Acompanhado apenas da solidão minha,
Que não me abandona e que não deixarei.

 

Minha voz calada e meus lábios cerrados
Não me impedem de compor um só verso,
Pois os pensamentos antigos e apaixonados
Não me deixam nem no tempo adverso.

 

Pelas folhas alvas meus olhos passeiam,
Logo, pensamentos e torrentes de dúvidas
Tal densas névoas matinais me rodeiam
E machucam em meu coração as feridas.

 

Desconsolado pelos amargores internos
Palavras me abalam as feridas profundas,
Mesmo assim escrevo os temores eternos
Que sucintam tristezas e lágrimas oriundas.

 

São palavras vãs talvez, os versos meus
Porém o triste peito do poeta sofredor
Nada sabe fazer além dos versos seus
Mesmo quando são só amargura e dor.