Sou uma garota apaixonada,
iludida na poesia, buscando saciar
um pouco dessa paixão nos versos.
Analiso cada estrofe como se minha vida
dependesse do efeito que causaria no leitor.
Deveria me preocupar?
Sim! Pois preciso acalmar a minha
alma sedenta de poesia.
Quero parar de escrever, mas minha mente
não para de ditar o que quer gritar aos quatro ventos.
Já é uma hora da manhã, as costas doem, os olhos ardem,
e meu coração bate descompassado, pedindo uma pausa.
A cama está tão macia e fria, me convidando a todo instante a deitar nela.
Mas a mente está tão empolgada que não vê o
tempo passar, o cansaço gritando.
Chega! pare.
Deixe sua subordinada descansar,
para que ela não te abandone.
A mente dá gargalhadas altas e diz:
— Eu não consigo parar!
Estou extremamente apaixonada pela poesia.
Me sinto inesgotável.
Apenas me obedeça.
Digite no teclado do seu notebook as estrofes que eu te dito.
Rabisque ainda um pouco as folhas do seu querido caderno rosa.
Quero mais!
Abra o celular, coloque no leitor
de voz e recite tudo que eu mandar.
Na nuvem, deixe tudo registrado.
Quero me deleitar em toda poesia criada.
Não consigo parar.
Acho que me viciei em criar poesias
que vêm em forma de poemas rimados,
prosa poética, crônicas, contos, histórias paralelas,
conteúdos para crianças.
Descrevo a natureza com tanta perfeição,
em todos os ângulos e não me canso.
Até o erotismo quer ter espaço, mas eu disfarço.
Por que é tão fácil fazer poesias?
Por que não tenho bloqueio criativo?
Estou tão cansada… quero dormir.
Enquanto escrevo este texto poético,
minha mente já está dividida em quatro ideias
assim que eu terminar esta, começo a próxima.
E ainda tem gente que diz que só usamos
1% do nosso cérebro.
Diga isso para a minha mente,
e ela vai rir de você.
— Mente, me deixe descansar um pouco…
Amanhã, pelas primeiras horas do dia,
te dedicarei à escrita, à retórica.
— Ainda não! Preciso registrar “o cotidiano
de uma mulher moderna”,
“as pessoas que não podem desistir”,
“aquelas garotas que mutilam o próprio corpo”.
Tem mais! Continue registrando…
— Não. Chega! Você não vai me controlar.
Vou dormir. Boa noite! Descanse.
— Não, não! Acorde! Não durma!
Preciso que registre mais uma coisa!
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Enquanto você dorme... vou ficar acordada.
Vou te fazer sonhar com tudo o que
quero que você registre.
Só assim vai saciar um pouco da minha vontade de poesia,
só um pouco.
Eu sou a mente. E controlo a sua imaginação.
Nada pode me parar,
nem mesmo o seu corpo cansado,
de tanto mergulhar no imenso mar da poesia.
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