santidarko

A flora invisível da descontinuidade

Cardumes de pensamentos infernais vindos de um espaço...que se infiltrava no avesso das formas.

 

As paisagens eram feitas de cartilagem viva, arqueando-se sob um céu de nervos expostos que latejavam em silêncio, como auroras de dor. 
Florestas de tendões retorcidos cresciam em espirais contra a geografia impossível, e um rio vítreo, denso como um humor doentio e lástimo!


...Arrastava consigo,globos oculares sem pálpebras — miríades deles, a fitar todas as direções ao mesmo tempo, num pânico mudo e perpétuo.

 

Massas assimétricas deslocavam-se nesse mundo, compostas de membros que não pertenciam a nenhum animal conhecido.

Cada apêndice ostentava dezenas de articulações extras, cotovelos dentro de joelhos, falanges que se invertiam como flores de carne, dobrando-se em ângulos que a biologia terrestre proibira nos seus primeiros rascunhos. O som que produziam era o de juntas estalando numa língua estrangeira.

E entre essas coisas vivas, nas dobras — não no espaço entre elas, mas numa dimensão intersticial, como a lâmina inexistente entre a pele e a unha — habitavam os parasitas. Vinham de um lugar não definido, um vindo-espaço que se infiltrava ,tal como costuras de ossos!

Ocupavam exatamente as fímbrias da existência: a franja de incerteza entre a célula e o tecido, o lapso entre o pensamento e a sinapse, a costura invisível que separa o reflexo do espelho, do corpo que o projeta. Alimentavam-se da justaposição, do quase, do intervalo. 

...Quando moviam-se, deslizavam no desvão entre o músculo e a intenção, banqueteando-se na hesitação do gesto. Eram a flora invisível da descontinuidade, os vermes da vizinhança ontológica, tecendo seus ninhos com o próprio atrito, entre o que é ...e o que poderia ser.

Cardumes de pensamentos infernais vindos de um espaço...que se infiltrava no avesso das formas.

As paisagens eram feitas de cartilagem viva, arqueando-se sob um céu de nervos expostos que latejavam em silêncio, como auroras de dor. 
Florestas de tendões retorcidos cresciam em espirais contra a geografia impossível, e um rio vítreo, denso como um humor doentio e lástimo!
...Arrastava consigo,globos oculares sem pálpebras — miríades deles, a fitar todas as direções ao mesmo tempo, num pânico mudo e perpétuo.

Massas assimétricas deslocavam-se nesse mundo, compostas de membros que não pertenciam a nenhum animal conhecido. Cada apêndice ostentava dezenas de articulações extras, cotovelos dentro de joelhos, falanges que se invertiam como flores de carne, dobrando-se em ângulos que a biologia terrestre proibira nos seus primeiros rascunhos. O som que produziam era o de juntas estalando numa língua estrangeira.

E entre essas coisas vivas, nas dobras — não no espaço entre elas, mas numa dimensão intersticial, como a lâmina inexistente entre a pele e a unha — habitavam os parasitas. Vinham de um lugar não definido, um vindo-espaço que se infiltrava ,tal como costuras de ossos!

Ocupavam exatamente as fímbrias da existência: a franja de incerteza entre a célula e o tecido, o lapso entre o pensamento e a sinapse, a costura invisível que separa o reflexo do espelho, do corpo que o projeta. Alimentavam-se da justaposição, do quase, do intervalo. 

...Quando moviam-se, deslizavam no desvão entre o músculo e a intenção, banqueteando-se na hesitação do gesto. Eram a flora invisível da descontinuidade, os vermes da vizinhança ontológica, tecendo seus ninhos com o próprio atrito, entre o que é ...e o que o desgosto do horrível pode ser!