Banho de domingo
Será que posso abrir as janelas?
E as portas?
Retirar a poeira dos olhos sem alguém questionar?
Andar sozinho às cinco da manhã. Sentar na grama úmida. Parado, sem olhar para os lados. Só o lago refletindo o início.
Apagar, por um momento, qualquer movimento ao redor ou dentro.
Fazer silêncio. Ouvir o sagrado que não sei como é.
Reflexões sem pensamentos parecem inexistentes. Zerar a quilometragem não é permitido. Impossível sair do labirinto.
Ao procurar, paredes. Ao nadar, redemoinhos. Areia movediça sob os pés e dentro da cabeça.
A maré continua: cabeça e pés, pés e cabeça.
Ao longe, o veleiro flutua. Brincadeira de menino. O mar é a banheira. Uma esponja lava. A espuma libera pequenas bolhas de sabão.
O barco desaparece. Termina o banho.
A toalha suave seca, e o oceano escorre pelo ralo.
Só queria ficar no banho mais um pouquinho.
Volto para o lago mais limpo.
Levanto e vou tomar um banho demorado de domingo.