Pela janela do tempo vejo a vida passar
Meu eu exilado dentro de mim
Pelo trem da vida em alguma estação quero chegar
A cada dia a existência mais perto do fim
Neste espaço-tempo o destino me conduz
A morte é acordar de um pesadelo terrível
Seu olhar pedinte é meu feixe de luz
Forte clarão que deixa esta trilha visível
Pela ciranda de vida não consegui te encontrar
Este meu eu reprimido, sufocado sentimento
Timidez mortífera não deixou com você eu falar
Intenso rubor na face, preferi esconder no momento
Sonho extinto, sem ninguém para chamar de filho
A esta altura da vida, sem a força da juventude
A chama que agora se apaga, há tempos perdeu o brilho
Só me resta pegar às manias, algum traço de virtude
O trem da vida passou, não consegui embarcar
Fiquei preso nesta estação solitária
Sairei de cena para a nova geração ocupar
Descanso eterno nesta confortável mortalha