Luminoso, o Vitorioso

Depressão e Obsessão

Cheguei à conclusão que a depressão é uma obsessão e a obsessão leva à depressão, eu tenho andado depressivo mas não ando com os antidepressivos, porque falta a depressão, por vezes, conhecê-la parece estar mais perto de acontecer e longe de desaparecer, tenho essa impressão, até lá continuo depressivo mas sem depressão e sem depressivos, sem depressão mas cheio de pressão, da pressão constante de constantemente estar a pensar para conseguir chegar a uma solução para a minha situação, de diariamente e desesperadamente procurar para tentar encontrar nem que seja uma pequena luz para me guiar nesta abissalmente escura e vasta imensidão, sentir o vazio é pior que sentir a dor e não digas que não, os meus gritos são o chiar da panela de pressão, só quero voltar a sentir, não a dor mas a emoção, com a depressão seria menos difícil executar esta que seria a minha última execução, ela nunca bate nem pede permissão, por essa e por outra razão, todas as noites deixo a porta entreaberta para quando ela me vier visitar e a minha casa ocupar, preencher o vazio no meu coração, pronto agora estou com obsessão da depressão, a depressão da obsessão me deixou obcecado com a obsessão de ter depressão com obsessão da depressão, me tem na mão e me deixou na mão, para o depreciador a doença se chama frescura ou carência de atenção, para o depressivo um outro nível negativo de dor, vazio ou de pressão, para o cristão uma maldição ou diabólica opressão, mas todos os depressivos sabem que dentro de um ciclo vicioso existem apenas duas maneiras de acabar com a pressão da tensão, saindo do ciclo ou morrendo no ciclo, sendo ou não, ambas são a salvação, para mim isso se chama uma benção, porque uma vez conhecidos, ela poderá preencher o abismo do meu órgão, com a coragem de segurar a arma na mão, apontá-la à minha cabeça e apertar o gatilho para acabar de vez com a depressão e a obsessão, antes mal acompanhado do que só, mais uma vez, não digas que não, se se sentir sozinho é pior que estar, eu prefiro morrer mal acompanhado juntamente destas duas companhias, doar os meus órgãos e ser enterrado com a bala cravejada no meu crânio como uma espécie de recordação que eu levo para dentro do meu caixão.