Deixado na poeira, serrado, juntando todo o desperdício e pó
Com dias melhores para contar, não tive coragem de olhar
A navalha, a prata, o ferro, em solda, me solde, me solte, me inspire, me expire
Feito para cortar, eu vou acabar, mas não antes de arranhar, de lapidar, de me tornar o que deveria ser
Eu lembro das risadas, lembro do desdém
Das vozes, da solidão, do desgosto, do desespero
Vai se lembrar, quando ver a chama, o tinir da lâmina
E eu sei que vai quebrar, que eu vou acabar, mas, deixe tudo ferver e misturar
Na escuridão, tive muito medo da luz
No silêncio da madrugada, todas as minhas lágrimas caíram
Não sobrou uma, eu me tornarei a espada, que por muitos anos será inquebrável
Cheio de cicatrizes, no pesadelo que nunca acabou, continue colocando o aço no fogo
A história da vida, nenhuma delas irá me definir
Todos os comentários cessarão, preciso que não esqueça
Tantas vezes se arrastando para fora d\'água
Tantas vezes que o sangue foi maior que o esparadrapo
O desconhecido, a maturidade misturada com insanidade
No erro, no acerto, na dor, no amor, no sorriso, na infelicidade
Eu estive ali, esperando um único corte, rezando para os céus se abrirem
Será melhor quebrar do que parar, morrer do que desistir...