Ayalah Verônica Berg

De trás para frente

 

Estou no início.
A casa, o jardim,
a alma — sempre
um passo à frente
das sombras.
 
Na distorção
esqueço os espelhos.
A sinceridade
é a segunda desgraça.
As luzes apagaram-se.
 
O frio chega de novo.
O gelo ganha contornos.
O frio corre na pele.
 
Teus beijos aquecem
os meus lábios trémulos.
Completamente.
 
E depois?
O silêncio.
Absurdo lúdido:
o amor que sobe
e no auge
ainda arde.
 
 
De trás para frente 
 de Ayalah Verônica Berg