Lucien Vieira

QUE SE FAÇA

(Lucien Vieira)

Não te quis ter.
Propriedade é tão-só um bem.
Elegância sem dentro — desgraça.

Tua forma
ajustou-se à minha falta —
falta de ti — que, sem saber,
eu já sentia.

Amedronta-me o meu feitio:
posso não agasalhar o teu frio.

Sentir-te —
em mim — vendo-te partir
aprofunda a dor do meu desejo.

Sob risco, peço:
põe tua falta inteira
em minha forma.

Já sou teu,
antes de ser eu.

Que se faça...