Nas vitrines florescem promessas ao vento,
Laços rubros enfeitam o frio da rua,
E eu caminho guardando um vazio por dentro,
Enquanto a noite parece maior do que a lua.
Há perfumes de amor espalhados no ar,
Mãos unidas passeando em silenciosa poesia,
E eu retorno sozinho, sem ter com quem falar,
Companheiro apenas da melancolia.
Na mesa, uma xícara espera sem voz,
O café já está frio, o silêncio domina,
E os casais fazem planos, tão longe de nós,
Enquanto a saudade em meu peito germina.
As canções pelas ruas parecem zombar,
Com refrões sobre encontros, desejos e abrigo,
Mas meu peito conhece o peso de voltar
Tendo apenas memórias caminhando comigo.
Talvez fosse tão simples ter alguém por perto,
Dividir o cansaço, o riso e o olhar,
Mas existem vazios em um mundo tão cheio,
E amores que chegam sem nunca ficar.
Ainda assim, sob o céu de um inverno sombrio,
Guardo restos de sonhos que o tempo não levou,
Pois quem ama, embora atravesse o vazio,
Faz do peito um jardim que ninguém cultivou.
E quando as luzes brilham nas noites de afeto,
Entre flores, cartões e promessas no chão,
Há quem sorria cercado de abraços por perto,
E há quem durma abraçado à própria solidão.