Versos Discretos

Soneto para teus Seios - Vol. XX

Dois hemisférios, alvos, de um relevo opulento,
Que a seda mal retém em sua estrita clausura;
São relevos de néctar, de uma estirpe pura,
Que desafiam, firmes, o próprio pensamento.

Exímios objetos de meu mais puro tormento,
Cuja maciez convida a mão que se aventura,
A decifrar o traço, a curva, a arquitetura,
Perdendo-me no gozo, em lento movimento.

Como eu desejaria, em ritos de devaneio,
Sentir o peso morno, a pele que se inflama,
Sob a ponta dos dedos, em todo esse seio,

Despertar a vertigem que a carne reclama,
Com beijos que percorrem, do bico ao meio,
A rota que o desejo, em brasa, proclama.