Eu perdi tudo o que já tive um dia.
Não tenho bens: é um Nada a minha história...
Do amor não tenho uma só memória
Nas aventuras loucas que vivia...
Nunca podendo ter o que eu queria,
Vivo a pensar na última vitória,
Quando, no fogo d\'uma crematória,
Verei brilhar o Sol na dor sombria...
P\'ra que viver? Não tenho nem motivos
Para escutar as aves e dar risos
Ou sentir o fresco da água do mar...
Pois meus ouvidos se tornaram surdos
E os meus sorrisos são, agora, mudos
E o meu peito só serve p\'ra chorar...