Maria do Socorro Domingos

A MORTE

A MORTE

 

Ela vem calada,
Veloz e faceira
Numa correria
Que é uma doideira,
Levando da terra
Quem ela bem quer.

 

Eu fico pensando
Aqui uma asneira:
Como me esconder
Da morte certeira,
Passar- lhe um calote
Quando ela vier?

 

Mas o que fazer?
É o nosso destino.
A morte carrega
O velho e o menino,
Contra a sua faca
Não há o que dizer.

 

E nem adianta
Eu espernear...
Melhor ficar quieta
E quando ela chegar,
Viajar com ela...
Morrer é viver!...

 

        
(Maria do Socorro Domingos)