CHAMA DA VIDA
Não sei o nome exato do que ela despertou em mim.
“Amor” parece pouco.
Foi algo mais profundo, mais suado, mais vivo
um renascimento dentro da alma.
Ela não chegou com ordem nem cobrança,
chegou com presença.
Com um olhar que atravessou minha calma
e fez do meu silêncio um incêndio.
Desde então, o que era morno em mim virou febre,e o que era letargia virou vitalidade
Há algo nela que me devolveu o corpo.
Como se o amor não fosse uma ideia,
nem um ideal entre casais,
mas um despertar que reaviva uma única centelha
Ela não me curou
me reacendeu.
E essa chama, por mais que me queime,
é a coisa mais verdadeira que já senti.
Nos olhos dela encontrei abrigo e vertigem.
Nos seus lábios, uma forma de calar minhas blasfêmias.
Em seus abraços, encontrei despojo para meu corpo manhoso.
Nela compreendi que amar não é possuir
é ser tomado.
Não é encontrar alguém,
é estar preso e ainda assim querer ficar.
Antes dela, eu falava de amor como quem repete uma história.
Vivi paixões que me incendiaram e que me mataram.
Mas agora o sinto como quem respira o paraíso
sem escolha, sem controle, sem religião.
Ela me ensina o sagrado mais simples:
um abraço que me ajeita,
um silêncio que fala mais alto que minhas palavras,
um olhar que acende labaredas.
Amá-la é um ato de fé sem altar.
É um recomeço suado, terreno, humano.
É o milagre da carne lembrando que ainda está viva.E quando ela me toca,
o mundo inteiro parece caber em um instante.
Não sei se isso é destino, erro, acaso ou merecimento
Só sei que há algo nela que me devolveu a vontade de existir.
E se amar uma mulher tão intensamente
ao ponto de esquecer todas as paixões que já me moveram
é um pecado de ingratidão,
peco todos os dias sendo ingrato
com todos os amores que passaram por mim.
Porque há amores que ensinam, ferem, atiçam, acolhem.
mas há outros, raros,
que ressuscitam.
E o dela me faz lembrar, todos os dias:
a vida só começ
a de verdade
quando alguém reacende o que o tempo apagou.