Zero açúcar
Uma xícara marrom-claro. Café da mesma cor, com uma superfície branca de espuma de leite. Pequenos guardanapos esperam, resilientes, por bocas.
Mesa redonda, também marrom, só que agora escuro. Sobre ela, um copo de água com gás espera junto com um bombom zero açúcar.
A água sobre a mesa borbulha.
Já vou, penso. Vou aproveitar para tomar meu remédio.
Primeiro, desembalo o bombom. Um primeiro pedaço. Bico o café.
Ao redor, o shopping passa gritando. Coloco no mudo.
Ouço só o estojo do remédio chamando:
— Já passou da hora.
E a mão treme.
Último gole do café.
A xícara vazia entristece. Uma embalagem vazia fica nua. O guardanapo me beija a boca. O comprimido invade, e a água, já sem gás, escoa.
Levanto.
A moça se apressa e prepara a mesa para a história de outra pessoa.