O Homem que fumava
Ele se realizava
O odio se tornava
Rotina
Atira contra o espelho
Ele se sente um fedelho
Um cigarro
Um pigarro
Um dia de fraqueza
Sem uma destreza
Em uma chuva ele não procura mais beleza
Outro cigarro,
Outra fumaça
Ele passa
Ele sente
Dia deprimente
Sua mente
É o seu pior inimigo
Que momento de grande amigo
Irônico
Sentimento platônico
Respira em uma cama velha
Não quebra a telha
A chuva continua
A comida sem gosto
Sem satisfação
Sem grande realização
Sua existência
Não tem importância
Pra si
É o fim
Pra mim,
É uma pergunta sem resposta
Num barco sem rota
Um dia sem nova
Se suja na poça
O homem que fumava
Ele se acabava
Em seus pensamentos
Tormentos
Da vida
Da infância
Cada lembrança
Um fundo sem esperança
Um fogo que não acende
Ele se arrepende
Mas não larga
Do vício
O homem que fuma
Ele se afunda
No cigarro
Ele acredita ser sua salvação
Mas nem procura sua redenção
Perdido em falsa visão
Ele não se vende
Mas tem uma venda
Quebra sua confiança na tenda
Não se entenda
Seu cérebro repete
Ele se culpa
Por todos erros do passado
Ele se sente caçado
Por si mesmo
É um erro
O ódio de si no espelho
Ele sente
Não repelho
A cartela do cigarro acaba
Observa o rio
Não sente frio
Escreve linhas
Sonho de pertencimento
Sonho de arrependimento
Encara tua rua
Ta na crua
Sente a lua
Ele sai a rua
Tenta procurar um novo cigarro
Passa um carro
Ele se pergunta se volta a sonhar
Ele deseja o amar
E porquê procurar?
Ele compra uma nova cartela
Ao se lembrar dela
Ele chora
Ele não cora
Ele compra o cigarro
Queima o arder do peito
Morto pelo falso respeito
Sem jeito
Ele caminha até a ponte
Ele escreve em seu caderno:
Eu quero ser feliz
Quebra o chafariz
Mudança é o seu sonho
Não seja um conto;
O cigarro acaba
Esse homem fuma o passado
Com o relógio parado os seus demônios
Se encontram
Aprontam
Apontam
E mentem
Eles sentem
Caminha a luz
Redenção em uma provável cruz
Ou na sorte
Não morre na norte.