Vivemos a perder coisas na vida:
Tudo aquilo que sempre mais importa
Apressa o passo e sai por nossa porta
Sem nem sequer fazer-nos despedida
Assim o Tempo vai fazer sofrida
A nossa pele cada vez mais mais morta
E a gênese da vida, que ela aborta,
Desfaz-se na tortura, que trucida…
E o Coração, em círculos dantescos
Anda a bailar nos túmulos funestos
Como bufões em festas de crianças…
Mas a Alma, só e perdida, se pergunta:
“Quando tornei-me esta infeliz defunta?
Quando perdi as minhas esperanças?…”