Guilherme Melo

Minha musa

Minha musa é a princesa de meus castelos,

É a donzela disputada em mil duelos

Travados por exímios e nobres guerreiros,

Cuja espada e armadura os tornam cavaleiros.

 

É o que mantém a força motriz de meus alvéolos, 

É o RNA sintetizado em meus nucléolos,

São os códons que formam seus olhos belos,

Que me mostram caminhos em segmentos paralelos.

 

É o circuito elétrico de meus axônios,

Que a eterniza em meus neurônios.

É a frequência que sintoniza meus batimentos,

É a causa primeira de todo movimento.

 

É a verdade oculta além da vida terrena,

Que não se sabe se existe de forma plena,

Mas cuja crença meus anseios sustenta

E minha existência contingente complementa.

 

É uma dimensão simbólica e onírica,

Que existe apenas em meus sonhos,

E que não requer comprovação empírica,

Mas que permeia os versos que componho.