Por muito tempo não compreendi o alcance de minha própria existência. Caminhava pelos dias como quem atravessa um jardim ao entardecer, sem perceber as flores que se inclinavam à passagem de seus passos.
Se alguém me dissesse, anos atrás, que minha presença poderia aquecer um coração, eu teria duvidado. Não por humildade, mas porque estava acostumada demais à companhia da ausência.
Tão acostumada, que julgava ser invisível aos olhos do mundo. E assim deixei escapar instantes preciosos. Enquanto lamentava os invernos da alma, não percebia os sóis que ainda brilhavam ao meu redor.
Enquanto recolhia tristezas, deixava de colher alegrias. E, sem intenção, feri a mim mesma e também aqueles que me estendiam as mãos.
Hoje compreendo. Há presenças que mudam uma sala sem dizer uma única palavra. Há pessoas que se tornam abrigo simplesmente por existirem.
E talvez eu também tenha sido isso para alguém.
Talvez meu riso tenha iluminado um dia difícil. Talvez minhas palavras tenham sido ponte sobre algum abismo invisível. Talvez meu simples permanecer tenha significado mais do que imaginei.
Por isso aprendi que somos mais preciosos do que supomos. Como estrelas que não conhecem a própria luz. Como velas que ignoram o quanto afastam a escuridão.
E hoje desejo guardar com carinho aqueles que habitam meu coração.
As almas que caminham ao meu lado. As mãos que permaneceram. As vozes que me ensinaram a beleza da companhia.
A elas ofereço minha gratidão. Pois foram elas que me ensinaram que presença também é amor. Que cuidado também é presença. Que permanecer, quando seria mais fácil partir, é uma das formas mais belas de afeto.
E que minha existência, mesmo quando silenciosa, também pode ser luz na jornada de alguém.
— Sunflower
São Paulo, 06 de Junho de 2026.
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