Não... não me domestiquem — que eu seja
Criatura inteira, ainda imperfeita;
Sigo o que em mim, calado, já deseja
A forma natural que me foi feita.
Que homem eu me mantenha na peleja Que em mim persiste, íntima e sujeita
Ao que sou eu — não ao que o mundo almeja
Traçar em mim por força ou por receita.
Não turvem pois o claro do que sinto,
Nem deem contorno estranho ao que é humano;
Há leis em mim que guardo e não desminto.
Deixem-me ser — sem jugo e sem engano,
Pois no que sou, sereno, me requinto
E a mim não cabe um molde soberano.
Tangará da Serra, 20/09/2020