Obra aqui do lado de casa,
que estardalhaço!
Furadeira com martelete
direto na minha paz.
É tanto furo que devem,
por certo, estar a fazer
uma peneira.
O pior é a pausa:
acha-se que acabou...
Um engodo!
Era só tempo
da troca da broca.
Como não estou preso
e minha corrente gira,
saio a pedalar.
A afronta é que por onde
passo há uma obra,
uma desorquestra:
serra tico-tico,
esmerilhadeira,
betoneira...
Volto à minha casa,
encontro na calçada
o dono da obra:
— Só mais duas semanas
e acaba.