Francisco Queiroz

DESORQUESTRA: UMA NEURA DO COTIDIANO

Obra aqui do lado de casa,

que estardalhaço!

Furadeira com martelete

direto na minha paz.

 

É tanto furo que devem,

por certo, estar a fazer

uma peneira.

 

O pior é a pausa:

acha-se que acabou...

Um engodo!

Era só tempo

da troca da broca.

 

Como não estou preso

e minha corrente gira,

saio a pedalar.

 

A afronta é que por onde

passo há uma obra,

uma desorquestra:

serra tico-tico,

esmerilhadeira,

betoneira...

 

Volto à minha casa,

encontro na calçada

o dono da obra:

Só mais duas semanas

e acaba.