Não recolho os cacos do espelho quebrado
Para ver neles meu rosto partido.
Dos cacos avessos miro o espelho intacto,
Para ver detalhes, do semblante erguido.
A linha do tempo é presa perdida
E a carne envelhece, enquanto a alma vive,
Sabe exatamente onde dói a fresta.
Das experiências e amores que tive.
As mãos de quem passa são barcos sem porto,
Ao sabor do vento, procurando o cais
A deriva em águas que não voltam mais.
Como o ato vivo, do heroi que está morto.
Como vistas postas, por um duto torto
Ventos que se foram, retornam jamais.