Juca Santos

OS VENTOS DO NORTE

Não recolho os cacos do espelho quebrado

Para ver neles meu rosto partido. 

Dos cacos avessos miro o espelho intacto,

Para ver detalhes, do semblante erguido.

 

A linha do tempo é presa perdida

E a carne envelhece, enquanto a alma vive,

Sabe exatamente onde dói a fresta.

Das experiências e amores que tive.

 

As mãos de quem passa são barcos sem porto, 

Ao sabor do vento, procurando o cais 

A deriva em águas que não voltam mais.

 

Como o ato vivo, do heroi que está morto.

Como vistas postas, por um duto torto

Ventos que se foram, retornam jamais.