Se a métrica falha e o soneto deserta,
A alma se aquieta no sopro da brisa;
A musa é liberta, a fronte desperta,
E o mundo revela uma arte precisa.
Nos passos do tempo, a rima se esconde,
Mas fujo da dor e aceito a poesia;
Na folha em branco, o verbo responde,
Bailando com leveza em plena harmonia.
Poetar é viver, é ser aprendiz,
É ver poesia onde a vida se encerra,
Do sol que se põe à mais simples raiz.
E mesmo que a forma perfeita não venha,
A força da vida é a arte que eu tenho,
A minha poesia que o peito desenha.