Fábio Alves Leão

DE COSTAS PARA O AMANHÃ

Estou de costas para o futuro incerto.
Caminho lento, no tempo deserto,
e o passado, outrora tão perto,
hoje é um eco suave e encoberto.

 

Vejo memórias em tom amarelado,
retratos de um tempo já empoeirado.
Risos que o vento levou calado,
e um “nós” que já ficou no passado.

 

As tardes têm cheiro de despedida.
Cada lembrança, uma ferida contida,
doce saudade que sangra na vida,
feito canção que não foi concluída.

 

Ah, como dói esse olhar para trás,
onde fui inteiro.  Hoje não sou mais.
Só um vulto perdido nos próprios sinais,
de tudo que fui e não volto jamais.

 

E assim sigo, sem rumo seguro,
de costas frias para o tal futuro,
abraçando um ontem doce e impuro,
onde ainda existo completo e puro.