Bomba-relógio
Agora são duas horas e quatro minutos.
Dia quatro de junho de dois mil e vinte e seis.
O tique-taque do peito marca a hora direito, sem parar.
Ainda bem.
Seria melhor dizer bup-dup, como meu velho professor ensinou?
Não importa a nomenclatura.
O brinquedo de corda, no meio das costas, está girando.
Alguém deu corda.
Não lembro quem.
Fato consumado desde então.
O compassado tique-dup.
O repetitivo taque-bup.
Ambos continuam marcando.
Uma hora a mais de prazo
ou uma hora a menos de tempo.
Tique-taque, tique-taque.
Bup-dup, bup-dup.