Samuel Knevitz Silveira

Laroyê, minha senhora

É um pobre coitado, uma alma iludida
Achou que na moça encontrara uma amiga
Tomou uma rasteira que abriu a ferida
Aprenda comigo, pois já fui traída

Tem muito olhar que esconde a mentira
Tem muito sorriso que range de ira
Enquanto tu pensas que fez um amigo
Eu piso na cobra, afastando o perigo

É muito abraço de quem te apunhala
É muita arrogância de quem muito fala
De tanta inveja, tu ficou de cama
De gente querendo te ver na lama

Não penses que foi uma única vez
Que a falsa amizade, ela que desfez
Enquanto te forjo te pondo a prova
Tem muito invejoso cavando a tua cova

É duro encarar a verdade que afronta
Que tira cegueira e o falso aponta
Das sombras do engano eu te resgatei
Eu sou tua senhora, nunca te enganei

Na calada da noite, tu se lamentava
Pedindo a minha ajuda na tua caminhada
No pé do ouvido eu te sussurrava
\"Receba o Axé!\" da minha gargalhada!