Eu quero amar, me apaixonar, me embriagar, deleitar-me com as pequenas coisas que parecem ínfimas,
mas que, para aquelas sensíveis e sentimentais, são esplendorosas formas de conhecer Deus e a si mesmo.
Quero ser tocada com ternura, beijada com lascívia.
Quero ter meu coração partido em mil pedaços.
Quero chorar o dia inteiro.
Quero questionar verdades de costumes e bons modos e abraçar mentiras sujas e inadequadas.
Quero sangrar e cicatrizar.
Quero ver Deus ao olhar nos olhos de meu amado.
Mas também quero traí-lo, pois esta é minha natureza, e minha natureza não pode ser calada nem suavizada; ela precisa ser vivida e honrada.
Quero encontrar paz na minha própria solidão.
Quero ser inconsistente, mas também ter palavra.
Quero sentir o calor do sol e o misticismo da lua.
Fazer amigos, mas também perdê-los.
Quero viver tudo o que há para viver, mas também quero me isolar.
Quero me tornar criança no abraço de minha mãe e ser mulher crescida.
Quero ser vulnerável. Quero poder ser quebrada.
Contraditória, pois quem fui ontem já não me lembro hoje.
Quero me curar de tudo o que me tira a alma.
Quero me sentir inteira e capaz.
Quero ser amada e querida.
Quero poder ser egoísta, mas também quero me doar a causas maiores do que eu mesma.
Quero me escutar e obedecer.
Tenho sede de viver e pavor de me perder.