Jonas Teixeira Nery

Entre sombras

Nas dobras deste tempo que não passa,
Na solidão que trago e que me veste,
Sinto a lua que brilha e que me fere,
Nesse céu cinzento onde a saudade tece.

 

São dias de uma bruma que me cega,
E meu peito, em abismos, adormece.
Busco a palavra que na noite erra,
Nessa sombra que o pranto não dilui.

 

E assim me perco, em versos e divagações,
Navegando nos meus subterrâneos,
Onde viceja todas minhas são canções,

 

E o tempo escorre, lento e solitário,

Sempre afeito as dores entre mistérios,

Onde desvendo o meu próprio relicário.