A andorinha voava incansável pelos montes e vales, procurando um lugar para chamar de lar. Mas todas as árvores que encontrava tinham galhos secos demais, espinhos afiados ou folhas murchas. Nenhuma parecia acolhedora.
Depois de dias de busca, avistou uma montanha verdejante, repleta de árvores frutíferas. Sentiu o coração aquecer e, ao pousar, cantou em celebração. Mas logo percebeu que o lugar já tinha muitos habitantes. Alguns pássaros ficaram incomodados.
— Seu canto é fino demais! — reclamou um corvo.
— Parece um mau presságio! — sussurrou uma pomba.
A andorinha não se deixou abalar. Ali, sentia que era seu lar. Com paciência, começou a construir seu ninho, galho por galho, folha por folha. Mas um vizinho irritado, um pássaro grande e ranzinzo, decidiu expulsá-la.
— Aqui não há espaço para você! — disse ele, bicando o ninho até que caísse ao chão.
A andorinha vendo o ninho destruído, sentiu um aperto no peito. Decepcionada, olhou para as montanhas distantes. Talvez ali houvesse um lugar onde fosse bem-vinda.
E assim partiu, deixando para trás aqueles vizinhos indesejados.
Na nova montanha, encontrou uma árvore modesta e acolhedora. Ao cantar sua chegada, alguns pássaros lhe deram frutos e ajudaram-na a construir seu novo lar. Ali, conheceu outro andorinho, que se tornou seu companheiro. Juntos, formaram uma família.
Porém, um dia, enquanto chocava seus ovos, a andorinha viu uma cortina de fumaça se erguer ao longe. A floresta onde antes tentara viver estava em chamas.
Os animais fugiam desesperados. Árvores queimavam, filhotes gritavam. Seu coração se apertou. Ela sabia que muitos poderiam morrer.
— Precisamos ajudar! — disse ao companheiro.
Foram de ninho em ninho, toca em toca, convocando os animais para carregar água no bico e despejá-la sobre as chamas. Alguns hesitaram, mas outros se juntaram à causa. Até o pequeno beija-flor deu sua contribuição.
Aos poucos, gota por gota, o fogo foi cedendo. Quando, enfim, as brasas se apagaram, das cinzas emergiu um pássaro enegrecido e frágil. Era o mesmo vizinho que um dia destruiu seu ninho.
Com lágrimas nos olhos, ele se aproximou.
— Você me salvou… — disse, envergonhado. — E eu não merecia. Fui cruel com você.
A andorinha, com um olhar doce, apenas sorriu.
— Não importa o que fizeram comigo. O bem deve ser feito sempre, sem olhar a quem.
E, com um novo canto, celebrou a vida e o novo recomeço.