Gaúcholupin

A morte do meu romance ?

 

Meu corpo fedia a podre, minha boca cheirava a morte e, sob as minhas unhas, estavam peles de meus irmãos. Meu cabelo estava cheio de larvas e moscas; em minha mente, havia demônios. Meu sangue era preto e tinha gosto de terra negra. Meus ouvidos sangravam enquanto escutavam a melodia da minha morte. Minha pele estava em decomposição; larvas comiam minha carne podre aos poucos. Só sobrou a faca que enfiei em meu coração. No chão, cães lambiam meus restos mortais e falavam o quanto aquilo era bom.

Minha noiva gritava meu nome enquanto eu me despedia de seu coração. Sua pele era gelada igual a um cadáver morto, suas palavras pareciam flechas, cada atitude sua parecia espinhos entrando em minhas tripas, sua mão parecia fogo atravessando meu corpo. Seu rosto estava pálido e trêmulo, me olhava com um olhar genuíno, mas só conseguia sentir seu desprezo e desafeto. Em seus peitos estava a marca de minha mão, em sua boca estava meu sangue e em seus braços estava meu corpo podre e doentio.

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