Parzival

Gritos silenciosos...

Tento… tento… ainda tento,
Mas cada passo é mais lento.
Caio — e o chão me reconhece,
Como velho amigo que nunca esquece.

Levanto… ou finjo que sim.
A alma, exausta, desiste de mim.
Três, dez, cem tentativas,
E todas me devolvem feridas.

As quedas… não acabam jamais.
São poços sem fundo, sem cais.
E eu, afundando em silêncio,
Sem vislumbrar qualquer alento.

Sei que pode parecer exagero
Mas é apenas o desespero
Clamando alto para ouvidos surdos
Ninguém parece ouvir.
E tudo bem...

Afinal, não há quem saiba o que é cair
Não culpo os que passam alheios,
Os que seguem seus próprios enredos.
Meus gritos são feitos de névoa,
E se perdem…
No próprio segredo.