Entre olhares furtivos no corredor,
O brilho dos seus olhos me enche de calor,
Um instante que arde, queima e implora,
No silêncio que ecoa, meu coração chora.
Ele passa, cabelos claros ao vento,
E o mundo parece parar de girar,
Mas há muros que nos separam, lamento,
Desejos presos, um amor a ocultar.
Nas noites frias, penso em seu sorriso,
Na pele clara que jamais toquei,
Um amor proibido, guardado, indeciso,
Num universo onde nunca falei.
Os toques que não aconteceram, os beijos,
Fantasias que queimam, vontade e temor,
Mas quem sabe, em um tempo sem segredos,
Nossos caminhos se cruzem sem pudor.
Por enquanto, é só o silêncio que me resta,
E o sonho de vê-lo, de novo, passar,
Numa faculdade onde a coragem é modesta,
E o desejo, em segredo, continua a pulsar.