RGGouveia

Prisão domiciliar

 

Celular na mão. Eu estou conectado a ele. Ele ao cabo, e o cabo à tomada. Um cordão umbilical virtual.

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“What’s up?”

Antigamente, costumávamos olhar nos olhos. Havia aperto de mãos, abraços. Empatia real. Antipatia também. A gente interpretava tudo e todos: o olhar, o silêncio, o gesto.

Agora percebo que eu e minha extensão, um cabo ligado à tomada, viramos melhor companhia. Nem com a televisão convivo mais.

O fato mais curioso é o substantivo:

Celular.

Do latim, pequeno compartimento. Na ciência, célula passou a significar pequena unidade, como as células do corpo.

Continuo preso à parede por um cordão umbilical, dentro de um pequeno compartimento.

Uma célula.

Uma cela.

Solitária.