#POEMA DOS OFÍCIOS E DA PAZ
Autor: Claudio Gia
Macau, RN – 29 de maio de 2026
Os Mapas, os Números e a Chama
(Dia do Geógrafo, do Estatístico, da Energia e dos Soldados da Paz da ONU)
No sertão potiguar onde o vento amansa
as dunas que o mapa ainda não decifrou,
o geógrafo planta a régua e a esperança
sobre o território que o povo ocupou.
Não há fronteira fria, nem linha vazia:
cada curva do rio é um destino coletivo.
O espaço se faz com a luta dos dias,
com a casa, a escola, o chão produtivo.
Ao lado, o estatístico soma existências:
não apenas números, mas rostos, suor.
A média esconde dores? Revela carências?
O censo verdadeiro é o da classe em clamor.
Percentuais frios de IBM e do BNDES
não param a fome, não forjam abrigos.
Mas a mesa de dados, nas mãos do operário,
vira projeto, mandato, sindicato — inimigos
do lucro que mata, do mapa solitário.
A energia do mundo, hoje celebrada,
não é a da usina que a Vale sustenta,
nem a da estatal que, já maltratada,
vendeu poço e alma a quem só violenta.
A energia é do sol que bate no telhado
do mutirão sem grana, mas cheio de fé.
É do vento que gira a pá do assentado,
da maré que ilumina o ribeirão, o cais,
onde o povo decide — e a luz, afinal,
se distribui justa, sem cabresto ou sinal.
E os soldados da paz, capacete azul —
não os que defendem império ou cartel,
mas os que desarmam a bomba e o gatilho,
que servem à trégua sem glória, fuzil.
São médicos, pontes, tratores, alfabeto,
são mãos que não atiram, mas plantam escolas.
A ONU os reverencia — quase um segredo,
pois a verdadeira paz não sai das esmolas
de exércitos ricos: sai da terra ocupada,
do tratado entre povos, da dívida perdoada.
Assim, geógrafo, estatístico, operário da luz,
soldado sem pátria, mas cheio de chão:
o mapa que fazemos com o suor na cruz
é o croqui da aurora, é a revolução.
Não o azul da bandeira que o capital bordou,
mas o azul dos boinas que a luta vestiu.
Neste 29 de maio, Macau recordou:
planejar, somar, acender, proteger — é construir
o socialismo que a terra sonhou.