Enfeite-se com sua presilhinha borboleta
Vista-se com seu melhor vestido de flores
E dance ao som da morte.
Estica suas mãos até o velho com câncer
Ouve aquela voz pingando
Como água de uma torneira vazia.
Então volte a bailar como quem a vida ama!
Pare no lugar como quem a vida odeia
Focalize, câmera, a morte que a rodeia
E a garota feia volta a rodar, se mostrar inteira
Dança às crianças que desentendem vê-la
Não vêem a falta de sentido nesta festa cheia.
Então pare de bailar, como quem se cansa
E volte a dançar como quem se importa
Para a morte em volta, faça de cegueira.
Ela olha para o céu enquanto se balança
Sente o ar que alcança sua pele velha
Seus globos se encantam com a lua nova
Cai de vestido aberto como a lua cheia
Tenta voar, mas a presilha a mantém presa
O público aplaude o fim de sua bela estréia.
E como as luzes do teatro, cessa a estrela.