Fábio Alves Leão

SILÊNCIO SOTURNO

No silêncio da noite, a sombra se deita,

E a lua, pálida, no escuro espreita,

Ao som dos bichos, em canto soturno,

Desperta o mistério do véu noturno.

 

O vento sussurra segredos ao chão,

Arrasta arrepios pela solidão,

Enquanto meus passos, perdidos no frio,

Se afogam no eco de um mundo vazio.

 

Meu pensamento vagueia sem cais,

Na imensidão turva de abismos fatais,

Onde o caos, infinito, em dança sombria,

Devora os vestígios da tênue alegria.

 

Corujas vigiam com olhos de brasa,

E a névoa se espalha, silenciosa, pela casa,

Há algo escondido no ventre da noite,

Um vulto sem forma, um mudo açoite.

 

As árvores rangem em vozes sofridas,

Guardando mistérios de eras antigas,

E o céu, sem estrelas, parece esconder

Verdades que a alma não quer conhecer.

 

Então sigo só, entre medo e desejo,

Perdido em lembranças que mal vislumbro e vejo,

Pois no caos infinito, de sombras sem fim,

A noite parece sussurrar dentro de mim.