Matheus Henrique

Sempre a ver navios

Triste, cabisbaixo e descontente
De tal forma que me sinto frio
Já virou algo corriqueiro
Ficar sempre a ver navios

Nas paixões nunca reveladas
Nas lágrimas que formam rios
Ficarei nesse cais
Sempre a ver navios

No mar de incertezas
Sinto sempre o vento frio
Que me congela de medo
De ficar a ver navios

Sem conseguir me declarar
Olhando para o céu de anil
Sinto que alguém tem a coragem
De me deixar a ver navios

Num mar de dois barcos
De repente muda o fio
E o que era rota certa
Me deixa a ver navios

Se trato bem ou mal
Se sou esquentado ou frio
Sempre terá algo
Que me deixará a ver navios

Já estou conformado
A viver só nesses rios
Mas no meio do estuário
Ficou sempre a ver navios