E se
toda festa,
efusiva alegria,
revela a ânsia da calma esquecida?
E se,
nos debates,
na carência de acolhida
e na fome de controle,
estiverem dores
escondidas,
contidas,
de um tempo de sangue,
de luta aguerrida?
E se a agitação,
o destempero,
forem ecos de um limbo ancestral?
Marcas profundas,
genes de outras vidas?
Anestesia,
saudade que arde,
silêncio que inquieta…
Sinais de que esse limbo
ainda lhe grita?
Calma!
Apascenta!
No tempo devido,
o debater nesse limbo,
o desconforto da ausência,
geram energia vital.
Aí, num Big Bang,
tudo vira vida…
Vida-poesia.