Vana Iori

E Se...

E se

toda festa,

efusiva alegria,

revela a ânsia da calma esquecida?

 

E se,

nos debates, 

na carência de acolhida

e na fome de controle,

estiverem dores 

escondidas,

contidas,

de um tempo de sangue,

de luta aguerrida?

 

E se a agitação,

o destempero,

forem ecos de um limbo ancestral?

Marcas profundas,

genes de outras vidas?

 

Anestesia,

saudade que arde,

silêncio que inquieta…

Sinais de que esse limbo

ainda lhe grita?

 

Calma!

Apascenta!

No tempo devido,

o debater nesse limbo, 

o desconforto da ausência, 

geram energia vital.

 

Aí, num Big Bang,

tudo vira vida… 

 

Vida-poesia.